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sexta-feira, 11 de março de 2011

ASSUMINDO AS ESCOLHAS



A questão das escolhas já é uma questão batida nas discussões sobre autoconhecimento.  Sabe-se que escolhemos todo o tempo. Agora mesmo faço uma escolha ao expressar minhas opiniões. E quem, por ventura ler esse texto, também estará fazendo uma escolha.

Escolhemos uma profissão, escolhemos amizades, escolhemos o que comprar, o que comer. Mas a questão que me faz refletir hoje é outra. Fazer escolha é algo natural, como respirar.

A questão que realmente importa é estar consciente da escolha feita, e, acima de tudo, assumi-la. A coisa mais corriqueira no mundo é uma escolha vir seguida de um subterfúgio:

- Ninguém me avisou...
- Eu estava doente..
- Eu fui uma vítima da situação...
- Eu estava num momento difícil...
- Eu não vi o que fazia...
- Não foi por mal...

E por aí vai. Não acho que as pessoas devam se culpar pelas escolhas que não foram felizes. Só acredito que é preciso assumir, 'para a sorte abrir'; assumir que julgou  mal, que errou, que foi infeliz na escolha, que foi egoísta, insensato, inconsequente. Não assumir é passar para a frente algo que deveria ser refletido; não assumir é culpar os pais, a criação, a vida difícil, a dificuldade financeira, a vida ingrata, Deus.
Assumir liberta das culpas, porque cria uma sensação de reparação. Quando cometemos um erro, devemos tentar minimizá-lo, repará-lo. De forma honesta, adulta e sincera, assumir uma escolha errada é a reparação do erro ou parte dela.

Os subterfúgios são muletas. Quem neles se apoia não cresce, não evolui, não se reabilita. Os subterfúgios alimentam situações duradouras de infelicidade e dor. Mas é preciso coragem para jogar fora os subterfúgios, porque eles são confortáveis, nos poupam de dores e nos protegem dos julgamentos. Mas é só.

Pessoas conscientes e responsáveis assumem seus méritos, tanto quanto assumem suas falhas. Crescem com a dor, com as escolhas mal sucedidas, não temem enfrentar de peito aberto as consequências. E assim crescem, evoluem, brilham e voam alto.

quarta-feira, 9 de março de 2011

ESCOLHAS DE UMA VIDA



A certa altura do filme Crimes e Pecados, o personagem interpretado por Woody Allen diz: "Nós somos a soma das nossas decisões".

Essa frase acomodou-se na minha massa cinzenta e de lá nunca mais saiu. Compartilho do ceticismo de Allen: a gente é o que a gente escolhe ser, o destino pouco tem a ver com isso.

Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção,estamos descartando outra, e de opção em opção vamos tecendo essa teia que se convencionou chamar "minha vida".

Não é tarefa fácil. No momento em que se escolhe ser médico, se está abrindo mão de ser piloto de avião. Ao optar pela vida de atriz, será quase impossível conciliar com a arquitetura. No amor, a mesma coisa: namora-se um, outro, e mais outro, num excitante vaivém de romances. Até que chega um momento em que é preciso decidir entre passar o resto da vida sem compromisso formal com alguém, apenas vivenciando amores e deixando-os ir embora quando se findam, ou casar, e através do casamento fundar uma microempresa, com direito a casa própria, orçamento doméstico e responsabilidades.

As duas opções têm seus prós e contras: viver sem laços e viver com laços...

Escolha: beber até cair ou virar vegetariano e budista? Todas as alternativas são válidas, mas há um preço a pagar por elas.

Quem dera pudéssemos ser uma pessoa diferente a cada 6 meses, ser casados de segunda a sexta e solteiros nos finais de semana, ter filhos quando se está bem-disposto e não tê-los quando se está cansado. Por isso é tão importante o auto conhecimento. Por isso é necessário ler muito, ouvir os outros, estagiar em várias tribos, prestar atenção ao que acontece em volta e não cultivar preconceitos. Nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, elas têm que refletir o que a gente é. Lógico que se deve reavaliar decisões e trocar de caminho: Ninguém é o mesmo para sempre.

Mas que essas mudanças de rota venham para acrescentar, e não para anular a vivência do caminho anteriormente percorrido. A estrada é longa e o tempo é curto.Não deixe de fazer nada que queira, mas tenha responsabilidade e maturidade para arcar com as conseqüências destas ações.

Lembrem-se: suas escolhas têm 50% de chance de darem certo, mas também 50% de chance de darem errado. A escolha é sua...!

Pedro Bial