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sexta-feira, 29 de abril de 2011

LENTES E VISÕES

"A visão é o tato do espírito." (Fernando Pessoa)

Eu uso óculos, lentes que me ajudam a ver o mundo de forma mais nítida. Miopia. Com os óculos, vejo melhor as formas, as cores, reconheço pessoas à distância, tenho acesso a coisas que, sem as lentes, me passam despercebidas. Uma pequena ajuda para meus olhos.

Mas, para os olhos do coração, não há lojas especializadas. Não há como examinar de forma tão eficiente nosso coração por uma máquina e determinar qual é o grau de 'miopia' ou outra patologia que nos impeça de ver o mundo de forma melhor.  Nossos humanos corações, quase sempre enxergam mal. Enxergamos como importantes as coisas palpáveis, as coisas adquiríveis no shopping, as coisas mais caras e produzidas em pequena escala.

Esse tipo de 'distúrbio visual' nos impede de ver a beleza que está à nossa volta e de ver aquilo que realmente importa:  que não se compra, o que não está à venda, o que não se pode ser substituído. E também nos impede de ver onde a sujeira está, onde estão nossas falhas, por que continuamos errando, sofrendo e causando sofrimento a outras pessoas.

Não há lentes à venda para fazer esse tipo de correção. Apenas nós podemos encontrá-las e há para tudo que precisarmos: lentes da confiança, da solidariedade, da amizade, do trabalho, da dignidade, da paciência, do compromisso...

Só corrigimos esse tipo de falha na visão pela busca constante da consciência, do amor e do bem maior. Pelas lentes do amor, vemos com perfeição.  Com as lentes da consciência, vemos com nitidez. E, acredite em mim, o mundo é muito mais belo e colorido quando vemos através das lentes certas.


É apenas com o coração  que se pode ver direito; o essencial é invisível aos olhos.
Antoine De Saint Exupery



terça-feira, 8 de março de 2011

ESTÁ NOS OLHOS DE QUEM VÊ

 Sempre se disse que a beleza está nos olhos de quem vê. Dizem que certa vez, Jesus passando por uma carcaça de animal morto, com seus discípulos, que viravam o rosto, exclamavam impropérios e faziam caretas diante do cheiro que exalava a carcaça já em decomposição.  Jesus, sábio mestre, observou “Ele tinha belos dentes”. Da sua infinita grandeza, Jesus só conseguia ver a beleza, mesmo em uma situação em que todos viam o que era desagradável. Assim o via Jesus, pois seus olhos eram belos, ou seja, seus olhos viam o que estava em seu coração. Olhos amorosos veem a beleza, o bem, o amor, o mérito.

Assim também, o sentido das coisas está nos olhos de quem vê. Em muitas situações, uma simples frase nos deixa de cabelo em pé:

- Quero te dizer uma coisa.
- O que foi? Eu não fiz nada. Vai com calma, eu sou inocente.

Com frequência, imaginamos que a pessoa que fala tem uma intenção, muito diferente daquela que há realmente. Precisamos nos desarmar, parar de esperar problemas e coisas ruins. Na verdade, devemos fazer o oposto: estar abertos para coisas boas, boas notícias, boas energias.


Para finalizar, lembrei de uma história real que nosso amigo Renato contava. Pai de um casalzinho de loirinhos adoráveis, um belo dia foi surpreendido pela pergunta da filha de aproximadamente cinco anos:

- Pai, o que é sexo?

Ele conta que ficou roxo, engasgou, já estava pensando em simular um enfarto ou coisa parecida, quando se lembrou de perguntar:

- Por que você quer saber, minha filha?

E a criança, na maior inocência:

- Porque a professora mandou fazer essa tarefa e está perguntando  meu nome, minha idade e meu sexo.

Viu só? O problema estava na mente adulta que imaginou uma situação muito diferente da situação real. A pergunta era simples e a resposta não precisava incluir cegonha, sementinha, muito menos uma aula de educação sexual. Nem tudo é necessariamente um problema. Vamos tentar enxergar a via com os olhos do amor, com os olhos da inocência. Pense nisso.