Mostrando postagens com marcador terremoto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador terremoto. Mostrar todas as postagens

domingo, 13 de março de 2011

O MESTRE ZEN E O TERREMOTO


Aconteceu que um mestre Zen foi chamado como convidado. Alguns amigos haviam se reunido e estavam comendo e conversando quando, de repente, houve um terremoto. O prédio em que eles estavam era um prédio de sete andares, e eles estavam no sétimo andar, então a vida estava em perigo.

Todo mundo tentou escapar. O anfitrião, correndo, olhou para ver o que tinha acontecido com o mestre. Ele estava ali sem sequer uma ruga de preocupação no rosto. Com os olhos fechados, ele estava sentado em sua cadeira da mesma maneira que estava sentado antes.

O anfitrião sentiu-se um pouco culpado, sentiu-se um pouco covarde; não fica bem que o hóspede fique sentado e o anfitrião fuja. Os outros, os outros vinte hóspedes, já tinham descido as escadas, mas ele parou, embora estivesse tremendo de medo, e se sentou ao lado do mestre.

O terremoto chegou e passou, o mestre abriu os olhos e retomou a palestra que, por causa do terremoto, havia interrompido. Ele continuou novamente, exatamente na mesma frase - como se o terremoto não tivesse acontecido.

O anfitrião estava agora sem vontade de ouvir, não estava com disposição de entender porque todo o seu ser estava muito perturbado e ele estava com muito medo. Mesmo que o terremoto já tivesse ido embora, o medo ainda estava lá.

Ele disse: "Agora não diga nada, porque não serei capaz de compreender, não sou mais o mesmo. O terremoto me perturbou muito. Mas há uma pergunta que eu gostaria de fazer. Todos os outros hóspedes haviam escapado, eu também estava na escada, já quase correndo, quando de repente me lembrei de você. Vendo você aqui sentado com os olhos fechados, sentado tão tranquilo, tão imperturbável, me senti um pouco covarde - sou o anfitrião, eu não deveria correr. Então voltei e estou aqui sentado ao seu lado. Gostaria de fazer uma pergunta. Nós todos tentamos fugir. O que aconteceu a você? O que você me diz sobre o terremoto?"

O mestre disse: "Eu também fugi, mas você fugiu para fora, eu fugi para dentro. Sua fuga é inútil porque para onde quer que você esteja indo lá também há um terremoto, então é sem sentido, não faz sentido. Você pode alcançar o sexto andar ou quinto ou o quarto, mas lá também há um terremoto. Eu fugi para um ponto dentro de mim onde nenhum terremoto jamais chega, não pode chegar. Entrei em meu centro.

Isso é o que Lao Tzu diz: "Agarre-se firmemente ao princípio da Quietude". Se você é passivo, aos poucos vai se tornar consciente do centro dentro de você. Você o tem carregado o tempo todo, ele sempre esteve aí, só que você não sabe, não está alerta.

Uma vez que você fique alerta sobre ele, a vida em sua totalidade se torna diferente. Você pode permanecer no mundo e fora dele porque você está sempre em contato com o seu centro. Você pode passar por um terremoto e permanecer imperturbável porque nada toca você.

No Zen eles têm um ditado que diz que um mestre Zen que tenha alcançado o seu centro interior pode passar por um riacho, mas a água nunca toca seus pés . Isso é belo. Não quer dizer que a água nunca toca seus pés - a água vai tocá-los -, refere-se a algo sobre o mundo interior, o profundo interior. Nada o toca, tudo permanece fora, na periferia, e o centro permanece intocado, puro, inocente, virgem.
Osho, em "Living Tao"
Imagem por h.koppdelaney
BLOG Palavras de Osho 

sábado, 12 de março de 2011

TRAGÉDIAS COLETIVAS - Um convite à fraternidade




Quando uma tragédia como o terremoto e o devastador tsunami no Japão acontece, todo o mundo  é afetado.

Os geólogos falam que um terremoto, altera o eixo da Terra. Mas não é só isso.  

Individualmente o que isso representa? Até que ponto e a que nível nossas ações individuais interferem no coletivo e vice-versa.

Deus, a espiritualidade, a providência divina permite as tragédias coletivas por razões que, infelizmente, nem sempre nossa compreensão alcança, mas são necessárias ao nosso crescimento. Cada pensamento e cada sentimento nosso é um tijolinho que colocamos no alicerce da vida, que pode ser construtivo ou não.

A responsabilidade das coisas que acontecem não é de Deus, seria muito cômodo, dar essa atribuição a Ele... A responsabilidade é nossa, Ele só permite para que através das experiências possamos aprender e evoluir. Há duas formas de aprendizado e crescimento: pelo amor ou pela dor. Aí entra a permissão de Deus.

Daí a necessidade de buscarmos as coisas edificantes: o bem, a qualidade de vida, a saúde, o respeito ao próximo, os cuidados com o planeta; esses são   assuntos que estão carecendo de reflexão.

Algumas pessoas acreditam que as tragédias coletivas são, na verdade, resgates coletivos e que a destruição pode ser um primeiro passo para a transformação e evolução necessárias ao nosso melhoramento.

Muitas vezes o que chamamos de fim e destruição é fundamental para o renascimento e a regeneração. E os problemas, as tragédias, as dores, as destruição são causadas por nós mesmos, conscientemente ou não. E como consequência, trazem mudança, transformação.

Tudo isso, neste momento,  evocam um outro momento em que a destruição causou dor ao Japão, mas trouxe mudanças positivas. Como tão poeticamente a música A Paz, do Gilberto Gil ensina: “Uma bomba sobre o Japão, fez nascer o Japão da paz.”

Além disso, grandes destruições alavancam o progresso de várias formas. Ainda há pouco, assistia a um noticiário na tv e o repórter afirmou: "Depois de grandes tragédias como um tsunami, o país vivencia uma onda de progresso e crescimento. Há muita participação e injeção de recursos."

Com certeza, por nossa escolha preferiríamos caminhar lentamente na direção do progresso e da evolução, a passar por tragédias como essa. E talvez seja justamente por isso que a Divindade nos dá um 'empurrãozinho', porque somos um tanto acomodados, principalmente em relação ao progresso moral. Li essa semana em algum lugar a piadinha "Adão e Eva foram expulsos do paraíso por desobediência, e por preguiça ambos não conseguiram voltar até hoje." Apesar da clara intenção cômica da declaração, talvez isso encerre uma verdade.

As tragédias coletivas despertam em nós sentimentos diversos que vão para muito além da preocupação material. Esses eventos acordam em nós o nosso senso de humanidade, fraternidade e solidariedade. Além disso, também destrói as barreiras e limites de território, cor, raça e religião, o que  reforça em nós a consciência de que somos irmãos, partes do Todo.

Os motivos ou as causas das tragédias não importam realmente. O que realmente conta é como isso nos afeta e como isso nos ensina; em que nos tornamos melhores e de que forma nos unimos para minimizar a dor dos nossos irmãos, dor que também é nossa. Não importa o quanto a Terra se deslocou do seu eixo, mas o quanto nós nos deslocamos do nosso eixo de conforto e individualismo, somos responsáveis por tudo aquilo que acontece... no individual e  no coletivo também. Acordemos!

(Colaboração de Luiz Eduardo Blog)

Por isso, convidamos a todos para promovermos hoje e amanhã, às 18 horas (horário de Brasília) uma prece em favor dos nossos irmãos que estão vivenciando essa tragédia e pelo despertar da humanidade.